terça-feira, 25 de dezembro de 2007

O que é isso Capatosta?

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Junte alguns sãos ao redor de uma garrafa, e olhe o que acontece.


video

Quem está botando Meteoros na cabeça dos cabeças?

Manassés
21/12/2007

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

The Abilene Paradox

O que você não quer que eu não quero, e acabamos fazendo bem feito juntos?
Onde leva o caminho mais longo, mais difícil que não leva a nenhum aprendizado?
Se você não quer e ela não deseja, porque insistir num erro que ninguém sabe ao certo se existe de fato?
Se eu não; se eles não querem e você não está afim, para que continuar em direção ao buraco?
Por que concordar se de fato e no fundo não concorda? Por que pagar um psicólogo, se é tão difícil admitir a verdade por si só?
Tenha dó!
Não estou dizendo a verdade?
Tenha piedade.
Desista de tentar cavar o mesmo buraco cada vez mais fundo, esperando chegar a um lugar diferente.
Que caminho é esse que leva nada a lugar nenhum.

Onde fica Abilene?


Manassés
12/07

Indiferença

Que diferença faz se penso que me amo?
Que diferença faz se a noite choro em silêncio?
Que diferença faz se meu coração está triste?
Quando as contas estão todas pagas.

Que diferença faz se desejo realizar os meus desejos?
Que diferença faz se minhas costas doem por um peso inexistente?
Que diferença faz se fingem me aceitar por não me entender?
Quando não falta comida a mesa.

Que diferença faz se não escrevo o que leio?
Que diferença faz se escrevo de madrugada?
Que diferença faz se sonho acordado e acordo cansado?
Quando se trabalha mesmo sofrendo.

Que diferença faz se meu coração se dilacera ao bater?
Que diferença faz se sorrio ao ver uma criança?
Que diferença faz se bebo por tristeza?
Quando se aceita ser provedor.

Indiferença. E somente isso.


Manassés
15/10/2007

sábado, 15 de dezembro de 2007

A Guerra.

Prólogo:
Não importa a quantidade de alcool que você consegue ingerir. Sempre vai ver o que não existe. Quem disse que a cerveja, ao amor resiste?

Atores:
O Professor e a menina.

Sujeito:
Um cara simpático. Cara de psicopata holandes, estudioso da Republica Socialista da China. Fã de Mao Tse Tung. Lutador deBox. Carregador de conhecimento na cuca e na mochila. tomador de suco de cevada...ao longo de toda madrugada. Tordedor do Comercial de Ribeirão Preto. Colecionador de cartão postal de estádio. - Imagina o grau de loucura.

Local:
Buteco. Pinheiros, Cardel Arco Verde. São Paulo. Brasil. Madrugada de um Dezembro qualquer do século XXI.

Referencias:
Interlagos. Mario Cóvas. PSDB. Meu amigo - tá comigo tá com deus.

Trilha sonora:
Frank Zappa. Yes. Marillion. Bezerra da Silva

Amigos:
Bruce. Manassés. Raul. Dono do Buteco.

Motivo:
Bom. Roma. Sociologia. Psicologia. Patogogia* cronica. Amor. Paixão...sexo e rock ´n roll.

Cena 1:
vamu bebe; Não aguenta bebe leite; quem toma água é passarinho; macho que é macho não toma mel, mastiga a abelha; céu? é pra lá que eu não vou. Bota mais uma pra mim, e três pro meu vô.

Cena 2:
Puta que pariu! Vagabunda. Filha da Puta, beijou o canalha. Tá...quando chegar no inferno, vai beijar o diabo?

Cena 2.1: Vai caralho.. dor? SOC (porrada na parede)hic²

Cena 3: Onde abre essa merda? Puta q´eu pariu....tô preso. Onde? No banheiro c´ralho. "ABRE ESSA PORRA" "ALGUEM ME AJUDAaaa!!!!"; "MEU CUTOVELO TÁ DUENO" - igual a ruela. SOC (tome porrada na parede).. "TOXA!!!!! O TREINO SERVE PRÁ ISSO)..Tá rindo dóquê???hic²²

Resultado:
A mão doendo no outro dia. 100 telefones pros amigos contando o "bonde". - VAGABUNDA... HÁHÁHÁHÁ!!!!!!

Conclusão:
Menina, se provocar um professor, por favor, não o faça sentir dor. Isso te custará caro:
Terá de pagar a conta no próximo encontro no buteco.
A conta do conserto da parede do banheiro.
A conta do hospital para recuperar a mão.
ou:
Mantenha a paz... beije e dê para o pobre rapaz..

* doença de Patos de Minas, e de lagos de alcool, ou: De Gansos

Manassés
12/2007

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

O Presente

Ontem pela manhã tive um sonho estranho
Acordei assustado, um pouco tonto e abalado.
Era uma mulher linda, alta, com belas curvas e fartos seios.
Mas, não lembro seu rosto.

No sonho eu ganhava um presente
Uma caixa colorida, acompanhada de um sorriso
Lembro que a caixa pesava um pouco
Mas, não lembro ter sentido antes tamanho desgosto.

Seus dedos tocaram minha pele
Dedos longos de unhas vermelhas e bem feitas
Ainda posso sentir a maciez do seu toque
Mas, não lembro antes, ter entrado em estado de choque.

Com bela voz pediu que eu abrisse o presente
Senti seus lábios beijando minha face
Ouvi um sorriso divertido
Mas não lembro antes, quase ter perdido os sentidos.

Sem cerimônia abri a caixa
Um bafo quente inundou o recinto
De susto quase não consegui respirar
Mas, a origem daquilo não podia imaginar.

Em voz calma, me dizia para nada temer
Que o amuleto havia sido construído para me proteger
Que meus inimigos, um a um iriam todos morrer
“Você se dará bem, se a alma ao Diabo vender”.

Cabelos loiros em rabo de cavalo
Olhos azuis manchados de sangue
Pescoço cortado por objeto qualquer
Mas não lembro de fato, se antes havia sido uma cabeça de mulher.

Manassés
14/12/2007

sábado, 8 de dezembro de 2007

1000Mi de 1/2 vida 1/2 morta separadas por 1seg. melado

Certa vez caminhando pela Terra do Nunca, imaginei esse outdoor em praça pública.
O que é isso?
Quem disse que o que se vê é o se enxerga?
Quem sabe interpretar o que se vê?
Quem vê o que se lê?
Quem se engana pelo que se encanta?
O que é isso?

Manassés
12/07

O Farol e o Sujeito.

Se a cabeça não desliga, o que se passa na cabeça do sujeito? Cabelos longos, barba comprida por falta de oportunidade de aparo (ao menos é o que penso) , indeciso diante da faixa de pedestres olha os transeuntes, um a um, atravessarem o farol verde. O farol de um verde bem mais claro que o casaco de exercito que ele veste.
Escrevo rapidamente as linhas acima de cabeça baixa e quando levanto os olhos novamente acho que o imagino careca, sem barba, limpo, usando camisa bicolor de mangas longas, aguardando algo acontecer... imóvel. O semáforo abre novamente, e com passos firmes ele atravessa a Consolação em direção a Maria Antônia, perdendo-se na pequena multidãoque vai e vem para qualquer lugar a toda hora.
Eu volto para minha cerveja e livro. O abre-fecha do farol continua indefinidamente e o sujeito deve estar lá em algum lugar.

Manassés
07/12/2007

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

God Saves the Quem?

Manassés
09,10,11/2007

domingo, 25 de novembro de 2007

O Cantador de Histórias

Certa vez conheci um cara que escrevia muitas histórias cantadas .
Cantava sempre as mesmas histórias de forma diferente.
Cantava alegria, tristeza, certeza, coração, cérebro, barriga e estomago .
Escrevia microfone, microfonia, cacofonia, sinfonia e sobre a Maria.
Viajava quando estava no palco em viajem - não importava o tamanho nem altura .
Na vida, representava personagens, pastagens, paisagens e auto-peças.
Contagiava a todos quando cantava – do padre ao preto velho .
De cabeça, de três era o irmão mais velho – de longe, era o filho mais estranho.
Gostava de cerveja gelada, de feijoada em prato de estanho, e mulher pelada.
Não tinha hora nem tempo ruim, mesmo quando um furação se aproximava do seu coração.
Via o mundo por um ângulo diferente, e dizia que só conhecia a felicidade quando se olhava o fundo da garrafa - de milho.
Fumava de tudo que aparecia – dizia que havia aprendido a viver com uma “tia” de Buchecha rosada - tinha dois pais e dois filhos que não fumavam nada.
Morava no terceiro andar de um prédio construído com as próprias mãos, e dava aula de música no porão.
Senti saudades quando morreu – já disse isso antes em carta ao Alceu.
Ainda lembro do último show; o sorriso, a calça amarela, nariz de palhaço, o violão....
Ainda lembro algumas conversas, sem pressa em um boteco qualquer; extra terrestre, piada sem graça, mulher, churrasco, tabasco, música, Santo Mé, futebol.....
Ele se foi... foi-se embora - mas seu corpo ainda continua com a alma nua, a en-cantar-nos com sua presença.
Esses dias em uma conversa, me fez algumas perguntas sem perguntar nada:

“Quem disse que escrever vale a pena?”
“Quem disse que escrever é sofrer?”
“Quem disse que dizer o que quer é escrever o que pensa?”
“Quem disse que escrevo o que penso ou que sofro quando escrevo?”

Ainda espero encontrar o cara de novo, para cantar as histórias que tantos ainda não conhecem.
Ainda espero ouvi-lo novamente - mas Sem Pressa Meu Nego.

Manassés
11/2007

Meteoros

Encontrei o recorte acima, em um jornal publicado na Terra do Nunca. Na ocasião, apresentei a um açougueiro do lugar e quase morri de rir quando ele me disse "você não estaria aqui caso isso fosse possível".
Algúem sabe responder?

Manassés
25/11/2007

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

12:44

Quem se importa?
Com o Barnabé...a pé, descalço.
Sem um puta calço.
o, sabe que horas são?
00:30. Amanhã? Tem viagem.
Que bosta, capatosta.

Quem se importa?
Com a porta do inferno aberta?
Um beijo. Sem desejo. Por obrigação.
Inferno? Um quase incêndio no Barnabé?
A pé?
Apaga o fogo caralho....minha filha ta lá dentro!!!!!
Quem tem mais um tento? Quem já viu?
Puta que eu pariu?
Quem mandou casar?

Ukraina, eu, sim eu....te desejei. E não tive.
Quem? Quem se importa se hoje viajo?
Reginalmente utopia......Barnabé. porra larga do meu pé.
Deixa eu beber? Minha parte eu quero em pinga.

Uma pergunta.
Quem sou eu?
Who ´m I?
..........................................I want to be alone.

Quem prova não enjoa.
E você? Vai viajar hoje?
00:56

Manassés
15/11/2007

sábado, 10 de novembro de 2007

Miss Merrda, vendo a vista.

É uma merda ter de escolher um caminho.
É muito fácil não ter pra onde ir,
Quando se volta pra casa após um dia de entre-vistas.
Quando se tem de controlar a maluquez através das próprias vistas,
Sem ter de apagar o incêndio do prazo.

É assim que funciona... a base de Viagra.
Caminhando e ouvindo...vem vamos embora
Porra!!!! Pra onde ?
Pro Natal? Para Natal?
É fácil... muito fácil criticar.
Senta o “coro”...cante em coro.
Curta o couro, seja um touro.
Sem razão.
“Vamu-imbora”...quem sabem não espera acontecer.
Agora!!

Soladados!!!...entrevistas.
A vista da própria vista, sem cobrar o prazo.
Certeza....história.
Caminhando e cagando...
Missão: A Merda.


2007-Guerra dos 10001 dias.
Manassés

sábado, 20 de outubro de 2007

Planejamento

Com 15 anos, planejei minha própria morte. Bem, não a morte propriamente dita, mas o meu próprio enterro - com carro preto; belas mulheres loiras de óculos escuros; crianças de longas tranças e lágrimas nos olhos; chuva torrencial e guarda-chuvas abertos nas portas das limusines; cemitério discreto gramado, grama verde fumada pelos irmãos nas laterais com garrafas nas mãos, “excluídos”; música fúnebre de fundo na filmagem que passaria na Tv a noite com o Título: Mais um Louco se Vai.
Eu planejei. Eu estudei. Eu imaginei. Com 50 anos eu me mataria. Nada mais poderia aprender com essa idade.
Faltam 15 anos agora e a coragem se foi. Tornei a mim mesmo um bunda mole. “Nós somos todos bunda mole”, ouvi o Boca cantar. E o sonho? O Sonho da morte? E a igreja? A igreja da sorte? – Me pergunto toda noite.Planejei. Que merda! Como será?Hoje tomo cerveja, não leio a Veja, fumo de vez em sempre, nado imitando pedra, vivo no futuro que nem sei se virá, observo o passado passar em formato de piada.Grama verde. Sol a pino. Enterro de um menino. Meu irmão. - Na verdade não lembro.Ninguém é o mesmo depois de enterrar alguém do mesmo sangue. Ninguém é o mesmo depois de enterrar alguém que tem o sangue da própria filha.Meu destino? Uma cova rasa em algum lugar da fronteira, entre a sanidade e a loucura.
Foda-se o planejamento.

Manassés

10/2007

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Infarto Corporativo

Puxa sacos profissionais,
Faladores profissionais,
Fininp, câmbio pronto, cobrança de mais,
Boa vontade no céu, na terra.

Piada sem graça,
Só mais uma informação é importante:
"O horário deve ser cumprido",
Estou apresentando apenas uma amostra - dessa bosta.

Cuidado com o que diz
Não estrague a brincadeira,
Não se comporte assim, mantenha a calma,
Não se comporte como um aprendiz.

Puxa saco falador,
Falador sem noção,
Relatórios que chovem,
Área em perigo: meu coração.

Manassés
10/2007

"Esta mensagem e uma correspondencia reservada. Se voce a recebeu por engano, por favor desconsidere-a.
O sistema de mensagens da Internet nao e considerado seguro ou livre de erros. Esta instituicao nao se
responsabiliza por opinioes ou declaracoes veiculadas atraves de e-mails."

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

O Profissional

Acordei de sobressalto, e a uma distancia suficiente para bater o recorde mundial de assalto a distancia, abri os olhos longe da cama. O galo estava cantando na porta do banheiro, já eram 22 horas passadas e o dever me chamava de troxa. Eu tinha de levantar. Liguei a torneira da pia média da cozinha, e comecei minha higiene pessoal com um bom banho gelado, enquanto um copo de cerveja esquentava no microondas.
Após me despir e despentear o cabelo, checando o nó da gravata em frente ao espelho, deixei livre o peido rei; meu mais poderoso gás.
Sai janela afora, colocando meu chapéu preferido. Mais um dia no banco me aguardava. Era 24 de Dezembro de 2137.

Manassés
08/2003

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Esperança

Quando o último raio ultravioleta atravessar a atmosfera
Quando a última gota de chuva ácida cair sobre a terra
Quando o último homem se aceitar como é
Quando a última mulher entender a necessidade

Descerei mais fundo nos meus pensamentos
Beberei o néctar do relaxamento a mim ofertado
Aceitarei a vida sem desculpas
Entenderei o sentido do prazer sem culpa

Quando o próximo der um passo a frente
Quando a próxima estiver mais próxima
Quando os olhares se cruzarem no vazio
Sexo será algo não mais necessário à guerra

Subirei ainda mais alto em viajem
Gritarei ainda mais alto á paisagem
Chorarei ainda mais baixo e sozinho
Amarei ainda mais a liberdade fora do ninho

Quando um raio de sol atingir a terra sangrenta
Quando um homem entender uma mulher, sem violência
Quando embevecido em pensamentos, a vida aceitar,
Amarei ainda mais a liberdade de relaxar, em paz

Manassés
10/2007

domingo, 14 de outubro de 2007

Poema sem nome

Quando a lua cheia luminosa
Cruza flutuando a abóbada celeste
E sua luz, brilhando intensamente,
Põe-se a brincar no anil do horizonte;

Quando suavemente o rouxinol
Começa no ar seu gorjeio simbilante
Quando o anseio da flauta de pã
plana acima do pico da montanha;

Quando, contida, a fonte da montanha
Torna-se torrencial e inunda o caminho,
E a floresta, acordada pela brisa,
Começa, farfalhando, a se agitar;

Quando o homem expulso por seu inimigo
Volta a tornar-se digno de seu pais oprimido
E o enfermeiro privado de luz
Volta a ver o Sol e a Lua;

Oprimido também, vejo, então a bruma da tristeza
Se dissipar, desfazer-se e logo sumir;
E a esperança da vida boa
Faz meu coração se abrir!

E, arrebatado por uma esperança assim,
Sinto júbilo n´alma e meu coração bater em paz;
Mas será autêntica tal esperança
Que me foi mandada nestes tempos?

Soselo - antes de 1922
(Joseph Stalin)


quinta-feira, 11 de outubro de 2007

A última Viajem a Terra do Nunca

Em minha última viajem a Terra do Nunca, conheci um Cara que era a cara da própria terra que naquele segundo sustentava meus pés naquela manhã de outono: Pálido. Convidou-me a sentar em uma pedra ao longo do longo caminho que cruza de sudeste a leste, que ao chegar todos os viajantes podem admirar o único templo dedicado a Deusa Loucura sendo iluminado pelo sol da manhã (desde que seja de manhã e haja sol). Sem cerimônia, me contou uma história inacreditável, que por ser eu incrédulo à própria vida, só me restou acreditar em diferente experiência de vida em morte. Tenho de admitir que me pareceu à primeira vista um fugitivo de um hospício qualquer, mas ao longo da conversa, ficou claro que minha dúvida era totalmente infundada, pois o tal Cara não tinha somente cara de fugitivo, ele era a própria fuga em pessoa. Contou-me que tinha construído um malicômio em seu próprio cérebro, e que para lá, contra sua vontade, era mandado toda sorte de religiosos, físicos e pensadores. Confidenciou-me que havia cometido suicídio à alguns anos, simplesmente para testar a teoria que não há vida após a morte, mas como eu mesmo podia contemplar e confirmar, a teoria ele tinha derrubado, com sua própria voz e cérebro. Um ser que se apresentava como humano, era a transformação de um ser que se achava humano, antes da transformação do processo que ele chamava morte. Demasiadamente humano para minha condição de insano.

Com alguns anos a menos que eu, o Cara que recusava a me dizer seu nome, falava gesticulando e com uma empolgação que me pareceu familiar. Ao longo da nossa longa conversa, pude comprovar que meus anos de estudo como professor nada me haviam acrescentado sobre teorias post-morten ou mesmo o sentido (ou falta dele) da própria morte. Contra minha aceitação, e com um pouco de sorte, meu interlocutor poderia estar comprovando debaixo do meu nariz, uma teoria a muito por mim rejeitada.

Confuso, simplesmente neguei. Simplesmente não fazia sentido. Simplesmente eu não mais acreditava. Eu não aceitava. Não havia viajado anos luz longe do corpo-consciente, somente para aprender sobre um assunto que não mais entendia, por não menos aceitar a própria consciência da vida. A própria presença do Cara, era a comprovação que eu não podia estar ali, pois se ele estava morto e eu tinha certeza estar vivo, um de nós estava no lugar errado ou estava mentindo. Isso não se encaixava. Não tinha sentido.  Um ex-rei não mente nunca, portando, ele estava no lugar errado.

 

Bem, nesse ponto, devo-vos uma explicação, mas por eu ter acordado, fica para uma próxima ocasião.

 

Manassés

Fev/2007

 

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

10/10/07

Acordei da mesma forma que tinha ido dormir algumas horas antes; sem tomar banho e com piriri. Era quase meia-noite e minha mulher estava preparando-se para deitar.

Zonzo, sem entender o que de fato estava ocorrendo, entrei cambaleando no banheiro e após a meditação básica de alguns minutos, esperei a água do chuveiro atingir a temperatura agradável.

Com o controle remoto da TV em uma mão e a tolha secando o cabelo em outra, encontrei Jean Reno na tela - Não importa o gênero do filme, se o francês está participando, a película é digna de Oscar. “O Fuso Horário do Amor”, tem Reno como o pacato e solitário de sempre, em uma enrroscada noite em Paris com uma bela mulher. Às vezes tenho dúvidas se em seus longas ele realmente representa, ou se simplesmente se apresenta. Invejo-o em seus filmes.

Pela manhã, fui acordado com algumas bexigas vermelhas desenhadas com carinhas sorrindo. Uma caixa verde com duas camisetas dentro, caiu em cima de mim, acompanhada de um “parabéns papai!”.

Li algumas manchetes de jornal, enquanto sentado novamente e esperando os gases escaparem, rezava para o piriri ter acabado.

Eram quase sete horas e novamente aguardava a água do chuveiro atingir uma temperatura agradável, antes do terno/gravata de quarta-feira.

Manassés

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Assim dizia Zaratustra

“Amo o que tem o espírito e o coração livres, porque assim sua cabeça apenas serve de entranhas ao seu coração, mas o seu coração, o leva a sucumbir.”

Sanidade (não tem idade)

Eu procuro um maluco
Eu procuro uma maluca, com piruca
Eu procuro uma casa
Pra transformar num malicômio.

Sem mal, e só iiii...cômio

Você é maluco?
Você foi maluca, cachaça?
Você tem uma vaca?
Pra transformar num malicômio.

Sem mal, e só iiii...cômio

Eu tomo "Visqui"
Eu tomo na cara e lá no sul
Eu tomo "aiuaska"
Pra transformar num malicômio.

Sem mal, e só iiii...cômio

Você ouve rádio?
Você ouve bomba?
Você anda de carro?
Pra transformar num malicômio.

Sem mal, e só iiii...cômio

Você vive na terra?
Você conheceu a Ásia e o Oriente?
Você é moreno ou médium?
Háhahá....Eu sei...
Você já é do malicômio.

Sem mal, e só iiii...cômio...háháhá

Eu passei pela terra
Eu conheci os seres que se dizem humanos
Eu andei de cavalo
Bem vindo,....vindo mesmo a pé
Seu cérebro é malicômio de neurônio!

Sem o mal, mas com só com o .....iiii...cômio

Há há há rá.

Manassés
2018

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

100 Espaço


Sinto falta de um abraço bem sentido
Sinto falta da liberdade perdida
Sinto falta da sinceridade que me falta
Sinto falta de sentir falta de não ficar sozinho

Queria dinheiro para ter sossego
Queria comprar a liberdade em moeda estrangeira
Queria mudar de vida para ter vida antes da morte
Queria morrer antes de ter de sentir falta de viver

Procurava companheirismo fora de mim
Procurava esquecer minha blindagem
Procurava quebrar “paradógmas” de vida
Procura a prova que prova que sou igual

Sinto falta de um ombro que nunca tive
Sinto falta de um amor que nunca veio
Sinto falta de um cérebro desligado
Sinto falta da solidão que me acompanhava

Queria ser humano
Queria ser igual
Queria felicidade
Queria me apaixonar

Consegui o que procurei
Achei o que quis
Perdi o que precisava.

Manassés
17/05/2007

sábado, 6 de outubro de 2007

Há muito tempo não te escrevo.

“Alceu, quem tá vivo desaparece sempre. Cá estou novamente.
Ao longo desse tempo estive em muitos lugares, embora a maior parte do tempo tenha passado na frente do computador e no banheiro. Visitei lugares inusitados, conheci pessoas interessantes e outras menos importantes. Para minha felicidade, muitas não me reconheceram; prova que me disfarcei muito bem de mim mesmo. Embarquei à terra das flores, após ter certeza que não me reconheci ao espelho.
Encontrei meu grande amor, Capova, sentada em um pinto preto. Usava um nome falso, que para minha decepção, logo descobri ser verdadeiro para aqueles que a chamavam. Fiquei triste e excitado, e sem mover um músculo da face e por estar pronto, sem perder tempo me candidatei a participar do filme que estava sendo rodado em São Petesburgo. Comemorando100 anos da morte de Trotsky, A Pintada seria lançado na semana do Oscar.
Sim, assisti ao filme na minha viajem que ainda faria à Terra do Nunca.
A experiência como ator me salvou de passar fome por um tempo. Alguns segundos depois, percebi que outra viajem me aguardava, ou, estava guardada para mim - Com o dinheiro dos royalties pelo uso indevido da minha imagem pelado, entrei em uma loja de roupas usadas por mendigos e para esconder minha vergonha, comprei o primeiro fraque azul que encontrei - Era um sábado de outono Aqueles em que o céu, na minha desilusão de ótica , parece ainda mais azul -. Cuidadosamente despedi-me dela; “adeus minha saudosa imagem do cão”. Lançando-a com sua nova roupa ladeira abaixo, fui rezar no centro da Praça da Paz, sentindo-me livre de tamanho peso e sem perceber desafiando (com meu pinto de fora), os chineses com roupa de pelúcia que guardavam um tumulo – ‘como se alguém quisesse roubar o defunto....’
Pois eh Alceu. Eu não estava totalmente livre, e aconteceu de novo. Dessa vez eu estava melhor preparado, exatamente como um egoísta especialista... ajudei vestir, embalar, cuidei da aparência, (paguei o carniceiro que ajudou escolher as flores), tentei vestir a roupa de Urso...é, eu... um ex-rei fazendo o trabalho sujo e recebendo ordens de meia dúzia de otários. Só quem viaja sabe o que significa isso. Mais um presunto se ia, enquanto eu, ladeira acima me ia. Cada um faz sua parte.
Agora vou embora. Mudar para um lugar um pouco mais ao Sul. Morar ao lado de um grande lago que chamam de rio...eu vou sem avisar meu tio que pode ser o próximo da fila, mas aí, não quero estar aqui, para tomar parte na maldita despedida, e fazer minha parte tudo de novo. ‘Vou sair à parte, pois assim como todos que partem, não preciso me despedir nem despir-me da minha ipocrisia de acreditar que todos que estou me despedindo irão me visitar sem avisar, e tomar parte á minha mesa, chamando minha filha de princesa, por saberem que isso me amolece o coração – contrariando as leis que ajudei a construir: Física. Para alguns, ao inferno, e outros ao pinto.
Sim, eu vou. Não quero choro nem vela, pois pretendo voltar para votar no defunto mais bonito... só não quero enterrar ninguém novamente. Você me entende, Alceu?
Há!..e a terra das Flores que descobri ficar perto do porto onde encontrei Capova, após o incêndio, (o mesmo que matou Trotsky, descobri isso agora) varrendo o mesmo chão, com a mesma roupa e vassoura.
Pois eh, reencontrei Korsus (lembra dele ?), mas eu por estar muito bêbado, não nos reconhecemos. Sei que Dominous me viu na travessia, mas tenho certeza que também não me reconheceu. Ah meu Deus...”for the greather good of God”!
E ai Alceu, o que me diz ? Ainda tenho jeito ?
Conheci o prefeito da saudosa maloca. Hahahaha...fumando uma bitoca sentado numa privada; com um computador em punho, ele escrevia um discurso e queria que eu lesse...hahaha... esse aí era o “Ome”. Pena que já morreu, ficou sabendo ?
Passei por pouca e boas, e por muitas e ruins. Tomei álcool, chá, guaraná e fumei capim. Sozinho e sem mim, caminhei pelo Sena procurando o Ayrton, o mesmo que me ajudou a embalar o defunto que quiseram roubar (em minha imaginação imaginando) na praça.
Alceu meu amigo, você deveria viajar mais, sem ligar para as leis que inventei para mim mesmo, mas acabaram descobrindo (todos os idiotas que começam com J´s) que se aplicava a tudo, inclusive aos outros - até mesmo para injeção.
Você deveria viajar sem sair do lugar. Deslocar-se usando a cabeça – não me refiro a uma nova forma de locomover-se utilizando a caixa craniana – Isso... usando a cabeça, por incrível que pareça... ou que suma de vez. Permitir que as sinapses criem novos caminhos no emaranhado de neurônios que você tem entre as orelhas. Pense nisso... e me avise o que acha da idéia.
Por favor, se pensa em me responder, que me retorne antes de morrer, pois como descobri me olhando em muitos espelhos, não tenho a mesma aparência e mais de um e já matei a minha imagem – se demorar, a resposta corre o risco de não encontrar o destino.
Há menino. Eu ainda te ensino, algo.

Saudades,

Seu amigo da onça.
Manassés”

Caro Amico ti Scrivo

Yeah!!
“Io recordo piu grosso”

E o que sobrou ?
A cabeça ?
Issoo.. só sobrou a cabeça.
Cabeça de Bagre
Cabeça de sagres.
De bacalhau.....

Um apito,
Como um “silvo”,
Um som... parecido,
Quando se está fazendo chixi.

O que sobrou ?
Até a sobra acabou.
E o que ficou ?
“Nostro senhore”
“Io recordo piu grosso”

Sagres que sangra.
Sagres que ama.
Mistura de canela,
Canela que sela.
Que sela o amor que sangra.

UaU!
De bacalhau!!!
Pescoço de girafa,
Que “nem” g´rafa.
Um box de graça, sem taxa.

Um menino que some,
E sobe a ladeira, que coisa feia!
Como uma bucha bebada cambaleia.

Um apito,
Como um grito,
De socorro num morro
D´uma cidade redonda,

Não se esconda....
Sem mentira , da verdade que atira,
Que acerta,
O que sobrou?
Tudo o que acabou.

“Io recordo piu grosso”
Uau!!!
Inocência perdida.

“Caro amico, ti scrivo.”

Perdoa-me.

Manassés
19/02/2007